Freguesia Lajedo

Lajes das Flores

Lajedo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Coordenadas: 39° 23' 33" N, 31° 14' 54" O

 

Gentílico

 

'lajedense'

 Concelho  

Lajes das Flores

 Área  

6,73km².

 Habitantes  

107 (hab. 2001)

 

Densidade

 

15,9 hab./km²

 Orago  

Nossa Senhora dos Milagres

O Lajedo é uma freguesia açoriana do concelho da Lajes das Flores, com 6,73 km² de área e 107 habitantes (2001), a que corresponde uma densidade populacional de 15,9 hab/km². A freguesia situa-se na extremidade sudoeste da ilha das Flores, a cerca de 9 km da sede do concelho e a 22 km de Santa Cruz das Flores, o outro concelho da ilha. A freguesia do Lajedo é constituída pelos lugares de Campanário e Costa, este último quase desabitado. A freguesia é atravessada pelas grandes ribeiras do Campanário e da Lapa. A paróquia católica correspondente à freguesia tem como orago Nossa Senhora dos Milagres, um culto que data pelo menos dos princípios do século XVIII.

A freguesia

Inicialmente o lugar era conhecido por Lagedos,[1] tendo com o tempo o topónimo evoluído para Lajedo, palavra que significa pavimento coberto de lajes, lajeado; lugar em que há muitas lajes; laje grande e lisa. O nome é adequado à geologia do lugar, já que são comuns as grandes extensões de rocha lisa exposta pela erosão ao longo do litoral e nas zonas mais altas das escarpas que rodeiam a freguesia.

Composta pelos lugares do Campanário e da Costa, a freguesia do Lajedo ocupa um extenso vale aberto sobre o mar, com solos férteis embora pedregosos. São frequentes os afloramentos rochosos, muitos deles formando grandes estruturas colunares de rijo basalto.

Frente ao litoral da freguesia existem dois ilhéus, o maior dos quais é denominado ilhéu Cartário. Estes ilhéus, e grandes pináculos rochosos existentes na zona, no contexto da tradição celta do ascetismo marítimo, estão na origem do topónimo de Mosteiro dado à freguesia vizinha.

A freguesia regista 108 habitantes (2001) com a seguinte distribuição etária: crianças – 9,3%; adolescentes – 9,3%; adultos – 61%; e idosos – 20,4%. Estão recenseados na freguesia 88 eleitores (2004). A economia do Lajedo tem por base a pecuária e a agricultura, com o cultivo de milho, batata e produtos hortícolas, mas num regime de subsistência, uma vez que apenas alguns agricultores apostam na aquisição de máquinas agrícolas e num aumento significativo da produção leiteira. Para complementar o rendimento familiar, alguns trabalhadores dedicam-se, para além destas actividades, a ofícios da construção civil. A pesca, o pequeno comércio e o artesanato empregam uma pequena parcela da população activa de Lajedo.

O fabrico artesanal de manteiga, sector em que a freguesia foi pioneira no tempo dos sindicatos agrícolas florentinos, então exportada em latas seladas, teve em tempos grande peso na economia local, mas a Cooperativa Agrícola Ilha das Flores viu-se forçada, na década de 1970, a fechar as portas por falta de competitividade.

A freguesia apresenta alguns aspectos notáveis no seu património histórico, cultural e natural, destacando-se:

  • Igreja Paroquial, construída em 1771, graças a José Francisco Mendonça, e totalmente restaurada em 1868;
  • Casa do Espírito Santo, datada de 1885;
  • Poceirão da Água Quente, com fumarolas, no lugar de Costa. Esta é a única nascente de água quente conhecida na ilha das Flores, é uma manifestação de água termal situada na zona intertidal. A visita obriga a um percurso de extraordinária beleza que passa frente ao ilhéu de Barro, pela rocha do Barreiro, onde se extraía muita da argila usada nos telhais da ilha, pelo ilhéu da Greta e pelo grande rochedo do Forcado. Nos Anais dos Municípios das Lajes, de 1970, afirma-se que as águas termais do Poceirão são adequadas para o tratamento do reumatismo e de algumas doenças cutâneas. A sua temperatura é tão elevada que permite cozer peixe ou lapas, que adquirem um sabor único;
  • Rocha dos Bordões, um monumento geológico de singular beleza e um dos ex-libris dos Açores. A rocha dos Bordões é formada por uma espessa camada de basalto que ao arrefecer rapidamente sofreu disjunção prismática, ficando com o aspecto de um gigantesco feixe de bordões petrificados. A Rocha, embora com a mesma origem, é maior que a famosa Calçada dos Gigantes (Giant's Causeway) de Antrim, na Irlanda do Norte, hoje classificada como Património da Humanidade pela UNESCO;
  • Pináculo do Campanário, uma enorme formação rochosa que se eleva isolada na paisagem, qual gigantesco mosteiro;
  • Ponta dos Ilhéus;
  • O lugar das Pontas Negras.

História da freguesia

A costa ocidental das Flores terá começado a ser desbravada em meados do século XVI, com os primeiros núcleos populacionais estáveis a surgirem nas primeiras décadas do século seguinte. Os primeiros povoadores eram capitaneados por João Soares, oriundo do lugar dos Mosteiros da ilha de São Miguel, que se terá fixado no Lajedo. Esta localidade será assim o povoado mais antigo da costa ocidental florentina e foi a partir dele que o povoamento irradiou para norte, levando ao aparecimento das povoações que hoje constituem as freguesias do Mosteiro, Fajãzinha e Fajã Grande.

Gaspar Frutuoso informa que este João Soares "Por suas mãos fez, calafetou e breou um batel, sem nada saber destes ofícios, em que ia com sua mulher e filhos ouvir missa à vila das Lajes. Diziam dele que, quando tornava a sua casa, dizia à filha mais velha que pusesse o batel em cima, e ela o tomava à cabeça e o punha onde queria, por ser muito pequeno e mal feito, mas servia-lhe, pelo caminho ser trabalhoso, e muitas vezes este João Soares, ia se às Lajes no barquinho e, às vezes, pescar nele".

É ainda Gaspar Frutuoso quem ao descrever a localidade regista a existência de "dois ilhéus no mar, afastados de terra um tiro de besta, que têm pouco mato em cima, onde criam diversas aves, e entre eles e a terra há ancoradouros de navio, e ao nível com o mar, corre uma ribeira, onde abicam as barcas dos navios e dentro enchem as pipas de água, sem as tirar fora. Chama-se a esta parte os Lajedos. É terra lançante e a rocha pouco alta, que dá pão e pastel".

Por sua vez, o florentino José António Camões, num escrito de 1815, informa que a "uma fajã chamada a Costa, que tem muitas vinhas, mas infrutíferas, assim como são todas as da ilha". Depois, explica que "por dentro do tal ilheo Cartário, ha outro ilheo pequeno e, por dentro deste, uma enseada chamada o Portinho do Lajedo, onde podem varar barcos pequenos, mas só com muita bonança". Refere ainda a Ermida de Nossa Senhora dos Milagres, "a que concorrem muitos devotos, mas he provavel, que a sua devoção consiste exceptis exceptuandis em levarem os seos violinos, e tocarem e dançarem com as moças, etc.".

Apesar de existir no lugar do Campanário, desde antes de 1757, uma ermida da invocação de Nossa Senhora dos Milagres, a qual dispunha de confraria própria e era lugar de romaria, o Lajedo manteve-se integrado na paróquia de Nossa Senhora do Rosário da vila das Lajes durante vários séculos.

A paróquia de Lajedo foi criada, por alvará régio de D. João VI de Portugal, datado de 19 de Dezembro de 1823, em resposta a uma petição feita por Manuel Luís de Freitas e outros moradores do Lajedo, que alegavam o maior incómodo e desgosto por não puderam cumprir com os Preceitos Divinos, tanto no estado de saúde como no de doença dado o Lajedo ficar distante da paroquial umas quatro léguas, tendo de passar ribeiras havendo no lugar uma ermida da invocação de Nossa Senhora dos Milagres, com todas as proporções para poder servir de Paróquia. Na altura residiam no Lajedo 200 pessoas, afora as crianças em muito maior número.

Na nova paróquia, delimitada pela Ribeira da Lapa, pelo Rebentão e pela Rocha Alta, foi colocado um reitor como a côngrua de quatro moios e cincoenta e hum alqueires de trigo e oito mil reis em dinheiro e um tesoureiro com a ordinária de um moio de trigo e trez mil reis para hóstias e vinho, a pagar pela Junta da Fazenda da ilha.

Embora se desconheça a data de construção da primitiva ermida do Lajedo, sabe-se que a 6 de Novembro de 1757 foi passado um mandato para nela se realizar um casamento, o que prova ser a mesma anterior àquele ano.[2]

O actual templo foi iniciado em 1868, pelo então pároco, padre Francisco Luís de Freitas Henriques. As obras apenas foram concluídas depois de 1876, pois naquele ano, durante a vista pastoral do bispo de Angra, D. João Maria Pereira de Amaral e Pimentel, foi ordenada a vende de adereços de ouro pertencentes à Senhora dos Milagres para financiar o acabamento do reboco e a construção do retábulo.

O Lajedo dependeu sempre administrativamente do concelho das Lajes da Flores, sendo, até à sua elevação a freguesia autónoma, um lugar da vila sede do concelho. Exceptua-se o período de 1895 a 1898 durante o qual integrou, como as todas as restantes freguesias da ilha, o concelho de Santa Cruz das Flores, por se encontrar suprimido o das Lajes das Flores.

O cruzeiro do Lajedo, construído dentro do espírito triunfalista do Estado Novo, foi inaugurado a 4 de Janeiro de 1952.

A electricidade chegou tardiamente à freguesia, pois apenas a 4 de Fevereiro de 1978 foi inaugurada a rede eléctrica local, deixando então de se utilizar a iluminação com as características lâmpadas a óleo de baleia que durante mais de um século e meio foram ali utilizadas. Apesar disso, desde muito cedo, ainda nos anos de 1940, o empresário José de Freitas Escobar Júnior, dirigente da Cooperativa Agrícola Ilha das Flores, que teve sede no Lajedo, tinha instalado um pequeno dínamo numa ribeira abaixo da freguesia, dispondo de electricidade no seu escritório.

A freguesia do Lajedo orgulha-se justamente de ter entre os seus naturais algumas personalidades de relevo, entre as quais é de destacar:

  • José de Freitas Escobar Júnior, um empresário e dirigente cooperativo, pioneiro no sector dos lacticínios, que se destacou como dirigente da Cooperativa Agrícola Ilha das Flores, que administrou durante cerca de 40 anos. Natural do Lajedo, emigrou jovem para os Estados Unidos da América e, mais tarde, para o Brasil. Regressou anos depois, não porque realizasse fortuna, mas para assistir um irmão acometido por doença grave. Acabou por se fixar na freguesia, onde pôs em prática o seu empreendedorismo. Foi Presidente da Câmara Municipal das Lajes Flores entre 1944 e 1946 e, de novo, em 1948. Faleceu em 1986, aos 84 anos de idade, na vizinha freguesia do Mosteiro.
  • Francisco Caetano Tomás, natural de Lajedo, licenciou-se em Filosofia e, mais tarde, ordenado sacerdote, em Roma. Cónego da Sé de Angra, foi professor do Seminário Episcopal daquela cidade, professor liceal e afamado orador sacro. É autor de diversas obras publicadas no campo da Psicologia e da Sociologia.

Notas

  1. Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, Livro VI, Ponta Delgada, 1963.
  2. Francisco António Nunes Pimentel Gomes, A ilha das Flores: da redescoberta à actualidade, Câmara Municipal das Lajes das Flores, 1997.

Baixa Rasa do Lajedo

 A Baixa Rasa do Lajedo (Lajes das Flores) é um afloramento rochoso marítimo português localizado no oceano Atlântico junto à costa da ilha das Flores, no concelho das Lajes das Flores com origem em escoadas lávicas submarinas, arquipélago dos Açores. Encontra-se nas coordenadas geográficas de Latitude 39º22.960'N (39.383ºN) e Longitude 31º15.538'W (31.259ºW), a cinco milhas marítimas do Porto das Lajes das Flores e do Porto da Fajã Grande (Lajes das Flores).

Formação Geológica e descrição

Esta formação geológica apresenta-se com uma composição geológica bastante variada cujos matérias de origem vulcânica são originados em escoadas lávicas, principalmente compostas por basaltos do tipo Hawaiítos Palagonitizados e bastante alteradas. Estas escuadas apresentam um elevado índice de facturação, com os planos dessa fracturação orientados principalmente na vertical.

Depositados sobres estas formações existem blocos basálticos de grandes dimensões e depósitos arenosos depositados nas zonas mais profundas ou protegidas das correntes marítimas. Existem ainda grutas de pequena dimensão e planos negativos em relação ao fundo circundante aliados a covas de gigante.

A profundidade média desta formação ronda os 27 metros. O acesso a esta formação geológica pode ser feito apartir da terra indo a nado, no entanto devido às correntes marítimas e aos agrestes acessos por terra geralmente o acesso é feito por barco.

Esta recife é utilizado para a realização de mergulho de escafandro predominantemente diurno, sendo que em caso de acidente em que haja a perda de embarcação, é possível nadar até terra firme, visto esta não se encontrar distante.

Fauna e a flora dominante

A fauna e a flora dominante desta formação geológica são a Asparagopsis armata, a Dictyota dichotoma e a Coris julis, sendo no entanto possível observar-se uma grande variedade de fauna e flora marinha em que convivem mais de 92 espécies diferente, sendo de 10.4 o Índice de Margalef.

Foi proposto nos trabalhos de Martins & Santos (1991) e Santos (1992), medidas de protecção da biodiversidade a este ilhéu.

Fauna e flora observável

Lajedo

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